O doutor e escritor Drauzio Varella mostra Carandiru sob outro
olhar. Hoje o doutor é mais conhecido pelo seu trabalho na TV, e aos poucos voltou ao
ambiente que o tornou um dos médicos mais famosos do Brasil, desta vez dando
voz ao outro lado.
Carcereiros é o
nome do novo livro de Drauzio Varella, que chega às livrarias na mesma época em
que se completam duas décadas do pior massacre do sistema prisional brasileira:
a execução, pela Polícia Militar de São Paulo, de "111 presos
indefesos", como cantariam Caetano e Gil, rebelados no Pavilhão 9 da
prisão — muitos alvejados depois de se render ou escondidos em suas celas. Há
exatos 20 anos, no dia 2 de outubro de 1992, um contingente da Polícia Militar
de São Paulo, chefiado pelo coronel Ubiratan Guimarães, invadiu o pavilhão 9 da
Casa de Detenção para terminar com um motim e deixou um rio de sangue pelos
corredores.
Em Carcereiros,
Varella inverte o foco. Saem as histórias ouvidas dos detentos e entram
episódios vividos por funcionários dos presídios, agentes penitenciários,
carcereiros e administradores. Em comum entre as duas obras, uma estrutura
fragmentada que faz do massacre do Carandiru um episódio entre muitos outros
relatados — em Carcereiros,
a história que abre o livro narra como um pequeno grupo de agentes
penitenciários conseguiu impedir que o pavilhão vizinho, o 8, se juntasse ao 9
na sublevação, e como isso evitou a invasão da PM no bloco e uma extensão ainda
mais trágica do massacre.
Bárbara Conti
Bárbara Conti

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