sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Prêmio na literatura

     O Escritor Bartolomeu Campos de Queirós ganhou diversos prêmios como o: Prêmio Ibero-americano SM de literatura infantil e juvenil, que foram conquistados em 2008. No ano de 2010, foi o finalista do internacional Hans Christian Andersen, notificado como o Nobel da literatura infantil. Mas, não ganhou o prêmio de São Paulo de Literatura, um prêmio que "por acaso" paga R$200 mil.     

Bartolomeu Queirós

        Seu livro, "Vermelho Amargo" (Cosac Naify) foi anunciado nessa noite de segunda-feira, como o  melhor livro do ano de 2011 . Bartolomeu morreu em janeiro, aos 67 anos em decorrência de insuficiência renal. Mas mesmo depois da sua ida, continuou ganhando prêmios. Não era casado e não tinha filhos e a premiação, como prevê o regulamento, vai para seus herdeiros legais.

        O mineiro Queirós, publicou 40 livros durante sua carreira - com maior dedicação ao público infanto juvenil, como o que entregou à Cosac Naify quatro dias antes de morrer. 
O seu texto poético  "Elefante",  em que o narrador conversa com seu inconsciente sobre os limites do amor, deve ser lançado no ano que vem.


Barbara Conti

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Conto

Segundo o dicionário Michaelis: "

con.tosm (der regressiva de contar) 1 Narração falada ou escrita. 2História ou historieta imaginadas. 3 Fábula. 4 Patranha inventada para engazopar indivíduos rústicos e geralmente de má-fé. sm pl Embustices, histórias, tretas. C. acumulativo, Folc: brinquedo infantil que consiste no encadeamento de palavras articuladas em série ininterrupta, formando histórias sem fim. C. da carochinha: conto popular para crianças; lenda.Cair no conto: ser iludido."

CONTO

Estrutura do Conto

1 – Unidade dramática
2 – Unidade de tempo
3 – Unidade de espaço
4 – Número reduzido de personagens
5 – Diálogo dominante
6 – Descrição e narração (tendem a anular-se)
7 – Dissertação (praticamente ausente)

CONTO – História completa e fechada como um ovo. É uma célula dramática, um só conflito, uma só ação. A narrativa passiva de ampliar-se não é conto.
Poucas são as personagens em decorrência das unidades de ação, tempo e lugar. Ainda em conseqüência das unidades que governam a estrutura do conto, as personagens tendem a ser estáticas, porque as surpreende no instante climático de sua existência. O contista as imobiliza no tempo, no espaço e na personalidade (apenas uma faceta de seu caráter).
O conto se semelha a uma tela em que se fixasse o ápice de uma situação humana.
ESTRUTURA - É essencialmente objetivo, horizontal e narrado em 3ª pessoa. Foge do introspectivismo para a realidade viva, presente, concreta.
Divagações são escusadas. Breve história. Todas as palavras hão de ser suficientes e necessárias e devem convergir para o mesmo alvo. O dado imaginativo se sobrepõe ao dado observado. A imaginação, necessariamente presente, é que vai conferir à obra o caráter estético. Jamais se perde no vago. Prende –se à realidade concreta. Daí nasce o realismo, a semelhança com a vida.
LINGUAGEM – Objetiva; utilizar metáforas de imediata compreensão para o leitor; despe –se de abstrações e da preocupação com o rebuscamento.
O conto desconhece alçapões subterrâneos ou segundas intenções. Os fatos devem estar presentes e predominantes. Ação antes da intenção.
Dentre os componentes da linguagem do conto, o dialógo é o mais importante de todos. Está em primeiro lugar; por dramático, deve ser tanto quanto possível dialogado.
Os conflitos, os dramas residem na fala das pessoas, nas palavras ditas, não no resto. Sem diálogos não há discórdia, desavença ou mal – entendido e, sem isso, não há conflito e nem ação.
As palavras como signos de sentimentos, de idéias, emoções, podem construir ou destruir. Sem diálogo torna –se impossível qualquer forma completa de comunicação. A música e a dança transmitem parcialmente tudo o que o homem sente ou pensa. O meio ideal de comunicação é a palavra, sobretudo na forma de diálogo.
O diálogo é a base expressiva do conto: diálogo direto, indireto e interior.
No conto, predomina o diálogo direto que permite uma comunicação imediata entre o leitor e a narrativa.
Se usado diálogo indireto em excesso, o conto falha ou é de estreante.
Diálogo interior: trata –se de um requintado expediente formal, de complexo e difícil manuseio.
Outro expediente lingüístico é a narração, que deve aparecer em quantidade reduzida, proporcional ao diálogo.
Os escritores neófitos ou inexperientes usam e abusam da narração, por ser um recurso fácil, que prescinde das exigências próprias do diálogo. É um recurso que tende a zero no conto.
A descrição ocupa semelhante lugar na estrutura do conto. Está fora de cogitação o desenho acabado das figuras. Ao contrário, o conto não se preocupa em erguer um retrato completo das personagens, mas centram –se nos conflitos entre as personagens.
A descrição da natureza, ou do ambiente, ocupa ainda mais modesto, pois o drama expresso pelo diálogo, dispensa o cenário. O drama mora nas pessoas, não nas coisas e nem na roupagem.
A descrição completa-se com 2 ou 3 notas singelas, apenas para situar o conflito no espaço.
TRAMA - Linear, objetiva. A cronologia do conto é a relógio, de modo que o leitor vê os fatos se sucederem numa continuidade semelhante à vida real.
O conto, ao começar, já está próximo do epílogo. A precipitação domina o conto desde a primeira linha.
No conto, a ação caminha claramente à frente. Todavia, como na vida real, que pretende espelhar, de um momento para o outro deflagra o estopim e o drama explode imprevistamente. A grande força do conto e o calvário dos contistas consiste no jogo narrativo para prender o interesse do leitor até desenlace, que é, regra geral, um enigma.
O final enigmático deve surpreender o leitor, deixar – lhe uma semente de meditação ou de pasmo perante a nova situação conhecida.
A vida continua e o conto se fecha inseqüente.
Casos há em que o enigma vem diluindo no decorrer do conto. Neste caso ele se aproxima da crônica ou corresponde a episódio de romance.
FOCO NARRATIVO – 1ª e 3ª pessoas. O conto transmite uma única impressão ao leitor.
Começo e epílogo: O epílogo do conto é o clímax da história. Enigmático por excelência, deve surpreender o leitor.
O contista deve estar preocupado com o começo, pois das primeiras linhas depende o futuro do resto, do que terminar.
O começo está próximo do fim. E o contista não pode perder tempo com delongas que enfastiam o leitor, interessado no âmago da história.
O início é a grande escolha. O contista deve saber como começar, o romancista.
A posição do leitor diante do conto é de quem deseja, às pressas, desentediar – se. Ele procura no conto o desenfado e o deslumbramento perante o talento que coloca em reduzidas páginas tanta humanidade em chama.
O contista sacrifica tudo quanto possa perturbar a idéia de completude e unidade.

CONCLUSÃO
O seja, o conto é uma obra de ficção que cria um universo de seres e acontecimentos, de fantasia ou imaginação. Como todos os textos de ficção, o conto apresenta um narrador, personagens, ponto de vista e enredo.

Classicamente, diz-se que o conto se define pela sua pequena extensão. Mais curto que a novela ou o romance, o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve uma história e tem apenas um clímax. Num romance, a trama desdobra-se em conflitos secundários, o que não acontece com o conto. O conto é conciso.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Elementos Narrativos do Livro "Senhora"






SENHORA
Livro de José de Alencar-1875

 

O livro relata um romance urbano contrariado pelos hábitos sociais, e retrata a antiga sociedade carioca da época.
A obra divide-se em quatro partes: Preço, Quitação, Posse e Resgate, constituindo o enredo apresentando contradição entre amor e dinheiro.

O Foco Narrativo

O narrador encontra-se na terceira pessoa, observador e onisciente.
A abordagem psicológica dos personagens (prenúncio de traços realistas).
O narrador de Senhora, procura criar a impressão de que o relato é veridico, como quase todo narrador romântico; teve exitência real antes de assumir a forma literária.

Elementos da Narrativa

Personagens:
- Aurélia de Sousa Camargo: uma moça de dezoito anos, orignalmente pobre, filha de um casamento rejeitado.
- Fernando Rodrigues de Seixas: Jovem de classe média, estudante de direito que aspira ao sucesso.
- D. Firmina Mascarenhas: mãe postiça de Aurélia.
- Lemos: tio de Aurélia.
- Adelaide Amaral: noiva de Torquato e mais tarde de Fernando Seixas.
- Pedro de Sousa Camargo: filho de Lourenço de Camargo e pai de Aurélia e Emílio.
- Emília Camargo: mãe de Aurélia.
- Lourenço de Camargo: avô de Aurélia, pai de Pedro.

Tempo: O tempo é cronológico, sendo, a narrativa organizada de maneira não-linear. O segundo capítulo relata a infância de Aurélia, que constitui uma quebra da sequência narrativa. A história é contada a partir de flash-back.
Espaço: O espaço central da narrativa é o Rio de Janeiro, bairro das Laranjeiras.
Linguagem: Utiliza-se do recurso da metaliguagem (forma teatral): “ Tornemos à câmara nupcial onde se representa a primeira cena do drama original de que apenas conhecemos o prólogo; os dois atores ainda conservam a mesma posição em que deixamos”
e linguagem simbólica e conotativa (metáfora aliterações): “beslicou o braço”, “ bloco de borracha- eufemismo”, “contrabando do amor” em vez de casamento por interesse.
                                                                             
                                                                                                                Anna Jacqueline

Tipos de Narradores


 Narração é o movimento de personagens em determinado tempo e espaço. Tem como base a ação dos personagens, criando o textos narrativos esquematizados com apresentação, complicação ou desenvolvimento, clímax e desfecho.
 Na apresentação o autor mostra o ambiente para que o leitor se situe no enredo-conjunto de ações e acontecimentos de fatos da narrativa usando recursos para prender  a atenção do leitor. A complicação está exposta quando o narrador conta onde, quando, como e com quem o ocorreu os fatos do enredo. O clímax torna o desfecho inevitável dando resolução aos conflitos ocorridos ao longo do desenvolvimento da história.
 Em qualquer narração é necessário um narrador, é ele quem conta a história no tempo e espaço, em primeira ou terceira pessoa. O narrador-personagem conta na primeira pessoa, tendo uma relação íntima com o enredo e seus elementos. Temos também o narrador-observador, que conta a história do lado de fora, em terceira pessoa, conhecendo todos os fatos, revelando as ações dos personagens com o desenvolvimento do enredo. Já o narrador-onisciente, tem alternância de terceira e primeira pessoa, sendo na primeira pessoa a revelação de pensamentos e sentimentos dos personagens durante a história.
Os escritores mais conhecidos por seus textos narrativos são Machado de Assis e Clarice Lispector.
Texto: Leticia Maciel

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Texto Narrativo e Seus Elementos (Tempo, Espaço e Ação)


          Toda narrativa se estrutura sobre cinco elementos essenciais, sem os quais não pode existir. Sem os acontecimentos não se é possível contar uma estória. Quem vive os acontecimentos são as personagens, em tempos e espaços determinados. Por fim é necessária a presença de um narrador — elemento fundamental à narrativa — uma vez que é ele que transmite a estória, fazendo a mediação entre esta e o ouvinte, leitor ou espectador.
       Trataremos a seguir, portanto, de enredo (juntamente com o tema, o assunto e a mensagem das estórias), tempo, espaço e narrador, bem como de suas particularidades na constituição das narrativas de contos e de curtas-metragens.
          O conhecimento mais amplo destes elementos facilitará a análise dos curtas animados,mais adiante.

Tempo, espaço e ação.

          Toda narração transmite uma estória que, organizada em um enredo evolui no tempo e no espaço. Para narrarmos uma estória necessitamos de tempo. Para apreciarmos uma narração faz-se igualmente necessário tempo.
         É na camada temporal que se organizam os acontecimentos de uma estória em uma sequência passiva de entendimento. Mas de que trata, afinal, o tempo? Santo Agostinho, em suas reflexões, fez-se o mesmo questionamento:

          "O que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém me perguntar eu o sei; se eu quiser explicá-lo a quem me fizer essa pergunta, já não saberei dizê-lo".

          A reflexão de Santo Agostinho mostra-se pertinente para o estudo do tempo na narrativa. Como conceituar o tempo? E, principalmente, de que tempo estamos tratando? Conceituar o tempo de uma obra narrativa é, na realidade, tratar dos diversos tempos que participam de sua estruturação — externos ou internos à mesma. Tratando do tempo na narrativa.

          Podemos identificar cinco possíveis relações do tempo com a obra narrativa. O tempo concreto age sobre os indivíduos do mundo sensível, possuindo relação com a obra narrada, mas não com os acontecimentos narrados no enredo. Tempo cronologia, tempo como durée e tempo psicológico são definidos por Gancho como tempos fictícios — criações internas à narrativa, entranhados no enredo. Por fim, há ainda o tempo histórico, pelo qual iniciaremos este estudo, por conter em si tanto o tempo concreto quanto o tempo-cronologia e o tempo como durée.
O tempo histórico é o tempo maior, que abarca todos os acontecimentos narrados pela História. “Constitui o pano de fundo do enredo”.

          Espaço, em uma narrativa, é definido como sendo o lugar onde se passa a ação. Se os eventos são marcados por estados que se transformam na camada temporal, estes acontecem em algum lugar. O que percebemos ou imaginamos em uma narrativa não são os eventos evolvendo no tempo — elemento invisível — mas sim no espaço — elemento visível.    Ao assistirmos um vaso de flores precipitando-se de uma janela em direção ao chão, veremos a janela, o vaso, a trajetória, o chão e todo o entorno antes de termos consciência do tempo transcorrido na ação.

          A ação é o conjunto de acontecimentos que acontecem num determinado espaço e tempo. Aristóteles, em sua poética, já afirmava que "sem ação não poderia haver tragédia". Sem dificuldade se estende o termo tragédia à narração e assim a presença de ação é o primeiro elemento essencial ao texto narrativo.

Erik Ferrazzi